O tempo é o de não perceber quando os amigos de outrora trocaram de carro, ou quando mudaram de emprego, ou quando chegaram de uma viagem importante.
O tempo é o de não se aproximar demais, mas também de se contradizer e de vacilar.
O tempo é de se recolher um pouco mais, de se concentrar para expulsar o que incomoda. De repetir alguns erros mas numa outra perspectiva.
O tempo é de mudar de lugar, estabelecer novos vínculos e resignificar a amizade: um conceito há tempos perdido, esquecido, desbotado e velho embora desejado.
É tempo de ter menos esperança visto que o mais sublime amor acaba: o da amizade. Os outros nem merecem espaço.
É tempo de planos para ontem, para a estação que vai chegar, ou para no máximo duas.
É tempo de avaliar a confiança que lhe é depositada para redesenhar a que deposita, baixar um grau nos laços, revisitar os ecos que ainda gritam últimas sílabas e torná-las palavras inteiras.
Tempo para o que é genuíno e transparente. O que é novo é também incerto.