Estagnado na décima letra eu aguço os sentidos
Procuro o cheiro, mesmo o do passado
Procuro o gosto, mesmo que do passado
Sim, provo o já provado e procuro o remanescente
O que haveria sobrado?
É estranho.
Observo o futuro, surgem as expectativas; são assassinadas
Observo o passado, evidencio erros; mas são inconsertáveis
Usei a voz passiva para te esconder o dono do verbo
Mas o verbo estava a me acusar
A acusação a me deixar exposto
E a exposição a me fazer recolher.
A pele virou escudo, mas os poros...
Mas os poros estão tão abertos que a fazem transparente
Vem me ver então!
E o que esconde dentro não vai assustar, prometo!
Chega perto que eu me aproximo de ti também
Deixe que eu seja aquilo que mais escondo
Invento mais um sentido se for preciso
São só sete letras que separam o meu do teu!
Sim
Sim
Sim
Tudo é muito estranho e confuso
E este é teu
O remanescente é teu
É o meu máximo.
Here I can share some old writings, momentous feelings and perceptions about a world out there.
Monday, April 11, 2011
Tuesday, April 5, 2011
15.05.2010: Time and Recognition
O tempo é a percepção individual do quanto se passou depois da perda. É a medida angustiante do intervalo que antecede a conquista.
O tempo mais geral é das máquinas (motores sem arbítrio): não é psciológico. Ou por que talvez tenha o mesmo efeito psicológico em todos. Então psicológico.
Passado também é a conquista e, caso não mais evidente, o presente é a sua calda.
O espaço sempre esteve; e nos remete ao tempo que leva para chegar. Se é um abraço o motivo da partida, tempo dobra. Se a má notícia é a recepção, tempo é a fração. Se rápido demais, disse Einstein, ele é bem flexível.
***
O pintor era feliz por que pegava o ônibus, sujo. Chegando em casa a mulher o esperava, cheirosa. Ela adorava abraçá-lo antes que tirasse o macacão. Ele nunca soube resolver uma equação diferencial ( ele nunca precisou!). Ela jamais soube que não precisava cuidar da casa, da cosinha e dos filhos; e que o espaço não dependia do sexo ou do gênero (disseram que ela precisava!). Então continuaram assim na segunda, na terça, na quarta-feira. Continuaram toda uma vida. Foram felizes.
Jeremias nunca pintou, ele sempre soube resolver equações diferenciais, soube funções de onda e densidades de probabilidades. Acreditava que a ciência era a direção de sua vida. Então ele leu Focault, resolveu mais equações diferenciais, analisou estabilidades, trouxe o micro ao macro matematicamente, viu a dinâmica inequacionável das sexualidades, leu O Manifesto do Partido Comunista. Misturou o que era exato e o que era humano no liquidificador.
A mulher não precisava mais o esperar em casa, ela podia trabalhar. Ele viu mais: a mulher podia fazer o que quizesse, inclusive decidir não ser sua; aliás ela não podia, ela era. O espaço então deixou de ser discreto, virou termodinâmico. Jeremias viu além: ele não precisava ter a mulher. Os planos do futuro de Jeremias não eram os planos do necrosado microcosmo, ele percebeu. Ele então esteve com quem quis, saboreou gêneros, optou por não optar, afirmou para defender minorias iminentes. Questionou a monogamia, buscou a história das religiões, tentou quantificar a democracia, não encontrou o Estado laico. Viu que a especialidade de sua espécie é não mais especial que a da bactéria que se especializou em contaminá-lo. A bactéria o tornou vulnerável. Ora, ambos são o sucesso de uma evolução elegantíssima! Mesmo patamar! Jeremias não rimou com a Flávia, jamais com a Maria José. José Maria quase o fez feliz. Ilusão! Felicidade de Jeremias só dependia dele mesmo, viu mais tarde.
Ele foi feliz.
O tempo mais geral é das máquinas (motores sem arbítrio): não é psciológico. Ou por que talvez tenha o mesmo efeito psicológico em todos. Então psicológico.
Passado também é a conquista e, caso não mais evidente, o presente é a sua calda.
O espaço sempre esteve; e nos remete ao tempo que leva para chegar. Se é um abraço o motivo da partida, tempo dobra. Se a má notícia é a recepção, tempo é a fração. Se rápido demais, disse Einstein, ele é bem flexível.
***
O pintor era feliz por que pegava o ônibus, sujo. Chegando em casa a mulher o esperava, cheirosa. Ela adorava abraçá-lo antes que tirasse o macacão. Ele nunca soube resolver uma equação diferencial ( ele nunca precisou!). Ela jamais soube que não precisava cuidar da casa, da cosinha e dos filhos; e que o espaço não dependia do sexo ou do gênero (disseram que ela precisava!). Então continuaram assim na segunda, na terça, na quarta-feira. Continuaram toda uma vida. Foram felizes.
Jeremias nunca pintou, ele sempre soube resolver equações diferenciais, soube funções de onda e densidades de probabilidades. Acreditava que a ciência era a direção de sua vida. Então ele leu Focault, resolveu mais equações diferenciais, analisou estabilidades, trouxe o micro ao macro matematicamente, viu a dinâmica inequacionável das sexualidades, leu O Manifesto do Partido Comunista. Misturou o que era exato e o que era humano no liquidificador.
A mulher não precisava mais o esperar em casa, ela podia trabalhar. Ele viu mais: a mulher podia fazer o que quizesse, inclusive decidir não ser sua; aliás ela não podia, ela era. O espaço então deixou de ser discreto, virou termodinâmico. Jeremias viu além: ele não precisava ter a mulher. Os planos do futuro de Jeremias não eram os planos do necrosado microcosmo, ele percebeu. Ele então esteve com quem quis, saboreou gêneros, optou por não optar, afirmou para defender minorias iminentes. Questionou a monogamia, buscou a história das religiões, tentou quantificar a democracia, não encontrou o Estado laico. Viu que a especialidade de sua espécie é não mais especial que a da bactéria que se especializou em contaminá-lo. A bactéria o tornou vulnerável. Ora, ambos são o sucesso de uma evolução elegantíssima! Mesmo patamar! Jeremias não rimou com a Flávia, jamais com a Maria José. José Maria quase o fez feliz. Ilusão! Felicidade de Jeremias só dependia dele mesmo, viu mais tarde.
Ele foi feliz.
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