Wednesday, August 24, 2011

Qual forma?

É doloroso perceber que apenas gostar não é suficiente para se sustentar uma relação. Pensa-se que quando se gosta de verdade todos os obstáculos podem ser superados, mas não é bem assim. Exitem indivíduos ainda e estes são muito difíceis de mudar. Existe o 1 e existe o 2 e cada um tem um estilo de vida, personalidade, gostos, manias, sistemas, todos acumulados durante uma vida toda. De repente se um indivíduo não gosta de características do outro a relação se torna frágil. 


Tenta-se ceder para adaptar mas esta adaptação requer tempo e os indivíduos não têm este tempo. Querem para já! Será por isso que os amores e as relações acabam? Ou será que de fato as relações e os amores não são verdadeiros? E qual o agregante da diferença de idade? 


Talvez fosse preciso amar um ao outro mais que a si próprio, assim se abriria mão do "eu". Mas isto é paradoxal: se é preciso abrir mão do "eu" é porque é preciso ceder ao outro. Sendo assim, porque o outro não cedeu antes a ponto de não exigir que um o fizesse? Impossível! Ainda que um cedesse completamente estaria abrindo mão de si mesmo e já não mais seria o indivíduo que outrora despertou o amor alheio. Acabou por ceder tanto que já não é mais o mesmo, e agora de que vale o amor já que se ama outro indivíduo?


Então qual a forma das relações? O que é verdade? Como não deixar que sentimentos tão fortes e bons se desbotem no tempo por diferenças de personalidade? 



Friday, July 8, 2011

Homecallings

Oh the joy of university life when, at 16, I left the home of my parents and
moved into residence at Memorial University of Newfoundland.
Every day for the first month, girls would line up to
use the one phone provided in the lobby and
we would call home.


Home calling, calling home, crying, sobbing because
home was calling. We may have left home physically but
our spirits were yearning to return to the safety and
warmth of the familiar home.


Only to find upon our return home for holiday that
we had changed and while things stayed the same at home
they seemed different to us.
Or was it that because we had changed
we seemed different to that
unchanged home.


So many years later and
Newfoundlanders are still calling home because
home calls them. Living anywhere in Alberta, be it
Fort McMurray or Lethbridge appears the same in their eyes because
home is calling them and they continue calling home,
a place where they cannot reside.


They live the present in a place they don’t want to learn to call home
they send their money back home and return home as often as possible
they ignore that niggling feeling that home appears different to them and
they don’t want to consider that they are different too.


Home calling them back to a place whose
population has moved from the tiny outports and hamlets to
congregate on the Avalon Peninsula so that by
retirement they will have to admit that both of them have changed.


Home calling, calling home
Calling home, home calling.


Even the meaning of the two words seem to change because
when they finally return to Newfoundland and settle into
retirement, there will be another home calling and
many of them will wish they could return home
to Alberta.


No doubt, many will do just that –
return to this place and see it for the very first time.


--Cecilia Hutchinson



Monday, June 13, 2011

Outrora outra

Eu sei...
Não tive tempo de mostrar Belchior pra você.
Tivemos um bom tempo com Adriana Calcanhotto e com seus sertanejos, que eu xingava mas gostava.
Você também xingava meu Pink Floyd, dizendo que era música de velório!
E Tiê?! Você teria gostado tanto!
Ficaríamos como tantas vezes estivemos: deitados juntos num colchão no chão admirando alguém que amávamos e que não sabíamos ainda quem era. Ou ficaríamos sofrendo por esse mesmo alguém. Só pra saborear um pouquinho a tristeza já que ela nunca vinha nos visitar por que estávamos juntos.
Lembra que uma vez você chorou no carro ouvindo uma música do Nando Reis enquanto voltávamos de um churrasco frustrante? Era tão profunda, a música, né?
Quase me comovi também.
Quantas vezes me viu chorar? Contaria em uma mão só, eu sei.
Quantas músicas entremearam nossos risos? Quantas foram numa angústia? 
Ou durante um "ai!" quando eu torcia uma de suas pernas torturando você?
E quando eu pulava pelado encima de você na sala lá de casa?
Consegue medir o quando ficamos íntimos? Consegue medir o quanto fomos amigos?
Lembro que você chorava pensando no dia em que não mais estivéssemos perto. Este momento parecia tão distante, né?
Ele chegou mais rápido que um piscar de olhos. Eu que me apresentei sempre desligado fui quem sofreu com isso, acho.
Fico feliz que tenha encontrado o caminho que tanto esperava. Falava tanto em encontrar alguém que realmente amasse e com quem valesse a pena se casar. 
Está aí, mulher!
É difícil ainda, confesso, quando um problema me bate de frente. Daí sinto falta da sua intromissão na minha vida, da sua organização, da sua sensatez e bondade. 
Se encontrarei alguém assim? Não! Definitivamente. Encontrarei melhor e encontrarei pior, mas igual  não mais.
Difícil alguém tolerar os meus vícios caseiros como fiscalizar se rapou bem o banheiro, ou se lavou bem os pratos, ou se apagou a luz ao sair do quarto, ou se não esqueceu uma peça íntima no banheiro, ou se repôs a água que pegou da garrafa, ou se já organizou a louça do café enquanto busco o pão! E minha cara feia por você ter roncado de noite?
Não, não vou encontrar.
Mas já nos encontramos um dia, querida. E fomos felizes, não? 
Escreveria tantos detalhes aqui quanto me pedisse. Eles ainda são frescos, sua memória é fresca e a dor da sua ida ainda é fresca.
Amo você para sempre! 



Tuesday, May 10, 2011

Tempo errado

A vida é por si só um desencontro.
E que dura uma vida inteira. 


Existem os que se iludem e acham a vida autêntica. Desses que eu sinto inveja.
Sabe qual a diferença entre um M e um T? Um tempo errado. 
Entre um A e outra letra qualquer: um tempo errado. 
Entre uma letra qualquer e outra letra qualquer: um tempo errado.



Thursday, May 5, 2011

Jelousy (C. Lowe, N. Tennant)

At dead of night, when strangers roam
The streets in search of anyone 
who'll take them home
I lie alone, the clock strikes three
And anyone who wanted to could contact me
At dead of night, 'till break of day
Endless thoughts and questions keep me awake
It's much too late
Where've you been?
Who've you seen?
You didn't phone when you said you would!
Do you lie?
Do you try
To keep in touch? You know you could
I've tried to see your point of view
But could not hear or see
For jealousy
I never knew time pass so slow
I wish I'd never met you, or that 
I could bear to let you go
At dead of night, 'till break of day
Endless thoughts and questions keep me awake
It's much too late
Where've you been?
Who've you seen?
You didn't phone when you said you would!
Do you lie?
Do you try
To keep in touch?  You know you could
I've tried to see your point of view
But could not hear or see
For jealousy
Where've you been?
Who've you seen?
You didn't phone when you said you would!
Do you lie?
Do you try
To keep in touch?  You know you could
I've tried to see your point of view
But could not hear or see
For jealousy
Where've you been?
Who've you seen?
You didn't phone when you said you would!
Do you lie?
Do you try
To keep in touch?  You know you could
I've tried to see your point of view
But could not hear or see
For jealousy
Where've you been?
Who've you seen?
You didn't phone when you said you would!
Do you lie?
Do you try
To keep in touch?  You know you could
I've tried to see your point of view
But could not hear or see
For jealousy
I never knew 'til I met you

Wednesday, May 4, 2011

Último

Quero-te tanto que chega a ser perigoso.
Está resolvido agora? Não ficaremos juntos?
Se estou satisfeito? Não ousa me fazer esta pergunta!
Há tempos estou no dilema entre arriscar e correr o risco de não dar certo, e não arriscar e me arrepender amargamente.
Não havia me decidido, eu juro, mas o tempo já havia falado que na ausência da decisão ele mesmo resolveria as coisas. Ele parece ter resolvido agora. Terá sido melhor assim?
Estou engasgado! Como vou reagir quando te vir passar na rua? Como vou reagir quando te vir aos risos com outro alguém? O que vais sentir quando for o contrário?
Ah! O que está errado?
Por que achas que minha posição é tão fácil? Não posso abandonar como se fosse uma garrafa vazia quem esteve do meu lado durante toda a tempestade. Não me julga, então!
Sei que estás insatisfeito com o que há. Coloca-te no meu lugar.
Mas ainda pertenço a ti. Vou pertecer até o tempo novamente intervir.

Este também é teu.
É o derradeiro teu.
É o meu último.

Tuesday, May 3, 2011

Carta

Ela sempre diz que você é uma boa pessoa e eu também acho isso, definitivamente.

Entenda que mesmo que se eu decidisse ficar com ele isso não ia durar nada.

Nada mesmo por que somos muito diferentes.
Ele é infantil demais com umas coisas e muito ativo, no sentido de não ficar quieto, circular demais com amigos e tal.

Eu não conseguiria acompanhá-lo e não toleraria muito.

Com você é diferente, você é velho babão como eu em um monte de coisas, rola tesão entre a gente.

Não temos outra coisa senão ficarmos juntos.
Amanhã você poderá se apaixonar por alguém aí.

Eu poderei tomar outros rumos também.

Mas podemos também ficar juntos e isso é o que eu quero agora.

É o que você também quer agora.

Então a gente planeja ficar junto hoje, e planeja amanhã.
Amanhã a gente planeja depois de amanhã.
E planejamos um casamento pra ir, uma festa legal pra ir, um bar, um espetinho, um sexo nervoso, um passeio qualquer.

E nisso já estamos juntos...

Monday, May 2, 2011

João de Barro

Foi-se porque era João
Foi-se porque era de barro
Pergunto-me quando que realmente fomos um do outro
Ou por quanto tempo achamos que fomos

A constante ida e volta de sentimentos confusos
Acabou por estragar o afeto que um dia haveria
Venta agora e eu me sinto vazio
Há pouco eras a única coisa a me preencher

Há mais além do vazio, eu sei
Porém estou cego demais para discerni-lo

O que queres de mim se és barro?
O que quero de ti sendo eu pedra?
Esta paixão é vadia e talvez só minha
Fomos traídos pelo corpo, tu sabes

Agora eu procuro a música mais triste
Procuro a memória mais profunda que te conecte a mim
É tênue

Como pode ser parecer sempre te amar
Quando ontem nunca te amaria?
Posso falar de amor quando batizamos tudo de amizade?

Não há barro, não há mais pedra
Não há rima e não há sincronia
E o tempo outra vez errou


Monday, April 11, 2011

Máximo

Estagnado na décima letra eu aguço os sentidos
Procuro o cheiro, mesmo o do passado
Procuro o gosto, mesmo que do passado
Sim, provo o já provado e procuro o remanescente
O que haveria sobrado?
É estranho.

Observo o futuro, surgem as expectativas; são assassinadas
Observo o passado, evidencio erros; mas são inconsertáveis

Usei a voz passiva para te esconder o dono do verbo
Mas o verbo estava a me acusar
A acusação a me deixar exposto
E a exposição a me fazer recolher.

A pele virou escudo, mas os poros...
Mas os poros estão tão abertos que a fazem transparente
Vem me ver então!

E o que esconde dentro não vai assustar, prometo!
Chega perto que eu me aproximo de ti também
Deixe que eu seja aquilo que mais escondo
Invento mais um sentido se for preciso
São só sete letras que separam o meu do teu!

Sim
Sim
Sim
Tudo é muito estranho e confuso
E este é teu
O remanescente é teu
É o meu máximo.

Tuesday, April 5, 2011

15.05.2010: Time and Recognition

O tempo é a percepção individual do quanto se passou depois da perda. É a medida angustiante do intervalo que antecede a conquista.
O tempo mais geral é das máquinas (motores sem arbítrio): não é psciológico. Ou por que talvez tenha o mesmo efeito psicológico em todos. Então psicológico.
Passado também é a conquista e, caso não mais evidente, o presente é a sua calda.
O espaço sempre esteve; e nos remete ao tempo que leva para chegar. Se é um abraço o motivo da partida, tempo dobra. Se a má notícia é a recepção, tempo é a fração. Se rápido demais, disse Einstein, ele é bem flexível.

***

O pintor era feliz por que pegava o ônibus, sujo. Chegando em casa a mulher o esperava, cheirosa. Ela adorava abraçá-lo antes que tirasse o macacão. Ele nunca soube resolver uma equação diferencial ( ele nunca precisou!). Ela jamais soube que não precisava cuidar da casa, da cosinha e dos filhos; e que o espaço não dependia do sexo ou do gênero (disseram que ela precisava!). Então continuaram assim na segunda, na terça, na quarta-feira. Continuaram toda uma vida. Foram felizes.

Jeremias nunca pintou, ele sempre soube resolver equações diferenciais, soube funções de onda e densidades de probabilidades. Acreditava que a ciência era a direção de sua vida. Então ele leu Focault, resolveu mais equações diferenciais, analisou estabilidades, trouxe o micro ao macro matematicamente, viu a dinâmica inequacionável das sexualidades, leu O Manifesto do Partido Comunista. Misturou o que era exato e o que era humano no liquidificador.

A mulher não precisava mais o esperar em casa, ela podia trabalhar. Ele viu mais: a mulher podia fazer o que quizesse, inclusive decidir não ser sua; aliás ela não podia, ela era. O espaço então deixou de ser discreto, virou termodinâmico. Jeremias viu além: ele não precisava ter a mulher. Os planos do futuro de Jeremias não eram os planos do necrosado microcosmo, ele percebeu. Ele então esteve com quem quis, saboreou gêneros, optou por não optar, afirmou para defender minorias iminentes. Questionou a monogamia, buscou a história das religiões, tentou quantificar a democracia, não encontrou o Estado laico. Viu que a especialidade de sua espécie é não mais especial que a da bactéria que se especializou em contaminá-lo. A bactéria o tornou vulnerável. Ora, ambos são o sucesso de uma evolução elegantíssima! Mesmo patamar! Jeremias não rimou com a Flávia, jamais com a Maria José. José Maria quase o fez feliz. Ilusão! Felicidade de Jeremias só dependia dele mesmo, viu mais tarde. 



Ele foi feliz.

Friday, March 11, 2011

23.05.2010 : Against

Tentou entender a razão da inveja. Por que a melhor coisa do mundo era a que não tinha. Queria saber se satisfação realmente existia, queria medir a distância da perfeição, tentava minimizar a limitação.
Num lado da balança colocou a dificuldade de se viver sem o que já tem. No outro, a ansiedade de ter o que tanto queria. A balança quebrou ao meio; duas coisas pesadas demais. Com ou sem grande ambição, passado denso ou não, ambos pesados demais.

Voltou no tempo, reavaliou o que negou. Projetou a nova vida se tivesse aceitado. Seria satisfação demais, explodiria. Ou seria frustração demais e anos se perderiam. Colocou todos os sentimentos num saco, sacodiu e retirou um: arrependimento. Esse não fitou bem. Outro: orgulho. Também não definiu. Deixou de lado a questão, o passado não tem solução real. Tão óbvio que chega a ser assustador.

O medo dos anos que fazem a proximidade se tornar tênue. A proximidade duentia que tanto faz mal. A dificuldade de se estar no meio.
As bocas que sempre reclamam as mesmas coisas e não conseguem abandonar o câncer se metastizando que é o ambiente que as rodeia. O novo que tão rápido o deixa de ser. O simples pesar no lugar do choro ante a perda.
O detalhe simples que faz reformular a opinião. A distância e a distância que ela causa. Os gestos, as manias, os planos bobos, as implicâncias, as discussões, os machucados, uma viagem, uma água quente. Assistia enquanto dormia: era belo saber que não estava ali enquanto os olhos piscavam rápido numa fase qualquer do sono. A ausência do nexo. O dito segredo. A mudança da opinião outra vez. Queria medir o quanto você conseguiu se enganar, otário. Medir os anos e as amizades que você perdeu é fácil! As amizades que desbotaram quando você virou as costas foram muitas também, mas dá para contar. Você foi otário, senhor alguém. A minha raiva é de saber que não tinha de ser assim, não por opinião!

Vou comer os pequis e vou abraçar você mais forte.