Sunday, September 30, 2012

Referência

Perguntaram se você tinha uma referência de relacionamento. Ah, sim, você tem. Afinal, para quem manda um torpedo perguntando como está quando a frustração toma espaço?
Por que sempre acredita nas coisas que começam por acaso?
Por que foca tanto em ir devagar para saborear a descoberta?
Por que tem tanto medo de propostas sérias da noite para o dia?
Por que uma vez por semana ouve aquela música?
Por que procura sempre uma semelhança, por mínima que seja?
Por que não se livrou das comparações?
Por que tem medo do reencontro?

Não aproximou mais as famílias. Seu sexo se tornou apenas performance e ainda deixa a desejar. Falta o pé de touro!
Não foi por acaso que foi pro Mosqueiro, dormiu mal e se apaixonou dias depois?
Não foi devagar que se aproximaram? Não foi assim que cada passo os ligava mais e enchia os dois corações de entusiasmo?
Não foi de você a proposta a jogar contra a parede e, sem dar outras opções, a arrancar-lhe o sim?
Não é aquela a música que fala de como se deu o primeiro beijo de vocês?
Não é a ânsia por um acerto que faz você procurar o igual?

Ah, para o reencontro a resposta não é simples, é? O passado virou um fantasma e assusta você! O tempo passou, meu caro! Sabe que muito provavelmente não vai encontrar a mesma pessoa de outrora. E foi lá que o seu pensamento ficou. É de lá a sua memória! Que inocente: se você próprio mudou, como pode esperar encontrar a mesma pessoa?
Ou teme aquela conversa onde relembram detalhes? Os detalhes sempre foram seus demônios: eles libertariam algo que ficou latente. Ou teme que definam melhor que você o que aconteceu?

Quantos lobos, meu caro! Ficou mais velho e se tornou mole. Agora enxerga ESTE momento como a peça-chave de um tempo que já foi. 

Mas por isso não lhe foge o sono. Apenas escreve mais um texto.



 

Thursday, September 20, 2012

Fases

E volto eu a falar do tempo. Mas agora de um tempo limitado, mais certo e, não obstante, pior. Falo de fases. Dia desses nos pegamos falando de fases. As coisas estão certas porque aconteceu de estarmos em fases que o permitiram.
A minha preocupação é a fase passageira. Eu não tenho cara e tampouco idade para fases passageiras. A alheia é do tipo passageira. Vejo-me submetido ao risco de dar certo. Pode ser que a fase se prolongue, ou que eu esteja enganado e a fase por si só já é definitiva. Mas não o é; ou não a chamaria fase.









Friday, September 14, 2012

Rumo

O fato é que não há nada que não seja uma questão de tempo. Hoje estou mais perdido que nunca. Cansado mentalmente. Estupraram meu cérebro na universidade hoje, estrupei meu cérebro querendo solucionar problemas pessoais e estruprei novamente vacilando numa desatenção. Quero abraçar meu travesseiro macio, fechar os olhos e dormir.
Ando estressado, loucamente estressado. Roubaram meu carro, que apareceu uma semana depois. Não tenho dinheiro para arrumar o que estragaram. A faculdade está usando toda minha capacidade mental. Minhas vizinhas andam insuportáveis. Tive uma única ereção durante toda a semana: não tenho pensado mais em sexo! Até minha velha amiga punheta me abandonou.
Entrei num relacionamento perigoso. Minha saúde vai de mal a pior, e mais: dependo do SUS.  SUS devia significar Serviço Último para Saúde porque só ligam para o problema quando o indivíduo está morrendo. Não obstante este ainda morre!

O que há de errado? Estou fatigado. O lugar, as pessoas, eu mesmo! Não suporto nada! Eu repito erros que imaginava ter superado. E agora eu os cometo em atacado: um atrás do outro. De graça construo um mundo de desespero para poupar as pessoas. Não corto as infantilidades nem as expectativas exageradas. Pelo contrário: torno-me mole e alimento-as todas.

Personalidade, mon cheri! Ela não muda! Há que policiar forte ou ela o dominará! Sem esperanças porque elas não mudam! Seus desejos são os mesmos. Suas amizades são as mesmas. São raízes! Já viu árvores andando por aí, animal?

Não aprendeu a lidar com a beleza ainda, né? Calma! Você não vai aprender nunca. Sua auto-estima é uma sacola de supermercado e só fica bem com um plástico ainda pior. Está sem rumo!


Friday, September 7, 2012

Medo

Hoje tive um medo forte. Ainda tremo. Sutilmente mas tremo. Medo do envolvimento das outras pessoas, do desgaste coletivo, da dose de esperança e a ansiedade da espera. Medo de que uma voz lá dentro ria de mim e esteja certa de que sairá um dia e não ira embora sem me levar quase tudo.
Hoje senti falta de uma contra-voz, de mãe, que me dissesse: "Deixa de ser bobo, preocupa não, menino!". Elas não sabem a dose de calmante que tem nestas frases. Ao que está sozinho resta a sua própria voz, o seu próprio pensamento viciado que sempre dá uma rasteira, derrubando você para o nível da aflição.
Algo maligno me espera. Há uma semana esta é a minha sensação. Tempos ruins vêm ao meu encontro. Preciso ser forte.


Sunday, September 2, 2012

Paranóia

Algumas sensações me rodearam hoje, o dia todo. Eu me percebi bastante covarde com algo que sempre me julguei forte: a morte. Meu gene egoísta (aquele do Richard Dawkins) diz que é necessário viver.
Hoje também, depois de muito tempo, admiriei a religiosidade das pessoas. Tentar dialogar com algo divino traz paz a mente, que os religiosos tendem a chamar de alma. Quando algumas pessoas pedem alguma coisa numa oração ou reza elas expressam um desejo e isso é belo. Não me importo com à quem o desejo se dirige, mas sim com o desejo em si. Este sim é belo.
Quando refleti e mais tarde busquei outros conhecimentos eu não pude fazer outra coisa senão romper com a religiosidade cristã. Esta se tornou vazia, cheia de dogmas. Enfim, fraca. Nunca mais vou conseguir retornar. Eu não queria isto, sinceramente. 
Percebo sim que quando a abandonei  eu me tornei mais compreensivo com as pessoas. Deixei de classificá-las em "petencentes" e "não-pertencentes¨ ao meu grupo religioso. Isto significava classificá-las em "boas" ou "más" ou mesmo em "dignas" ou "não-dignas" de bondade. Vejo como progresso, isso tudo. Por um outro lado eu deixei de ser acolhido em um grupo. Esta perda é relevante.

Às vezes me vem a sensação de que morrerei antes da hora (antes de envelhecer). Moro só e de repente posso ter um troço que não vai nem me dar tempo de dar tchau. Um glioblastoma, um câncer intestinal já avançado, ou uma doença séria que me mate antes que descubram. Não quero ficar paranóico com isso.