Tuesday, September 3, 2013

A lacuna

Paro, penso, avalio, conto os anos e meço o avanço.
Continuo parado.
Penso nos caminhos que nunca existiram e que sinto saudades.
Avalio a lacuna do tanto feito e que de nada serviu.
Conto os anos e pondero cada um com o peso do vazio.
Meço o avanço. Que avanço? Haveria um, sequer, para carecer medida?

Depois observo os carros pequenos e caros, e que todos têm. Observo a demanda do sucesso, medido apenas em aspectos econômicos. Na grande cidade a felididade é o reflexo dos bens.
Na cidade pequena é o comodismo com o mínimo.

Então eu fujo para bem longe. Vou para o Norte. Bem onde ainda existe um resquício de simplicidade. Onde as pessoas não cobram o seu sucesso nem o comparam com escalas ultra-desonestas. Elas sorriem, riem de algumas desgraças, choram com outras, vivem e morrem.

Paro, penso, avalio, conto os anos por vir e meço o remanescente, já em desespero.
Tudo está por ser deixado: pessoas e objetos. Aos que ficam sobrará a minha lacuna.