Tentou entender a razão da inveja. Por que a melhor coisa do mundo era a que não tinha. Queria saber se satisfação realmente existia, queria medir a distância da perfeição, tentava minimizar a limitação.
Num lado da balança colocou a dificuldade de se viver sem o que já tem. No outro, a ansiedade de ter o que tanto queria. A balança quebrou ao meio; duas coisas pesadas demais. Com ou sem grande ambição, passado denso ou não, ambos pesados demais.
Voltou no tempo, reavaliou o que negou. Projetou a nova vida se tivesse aceitado. Seria satisfação demais, explodiria. Ou seria frustração demais e anos se perderiam. Colocou todos os sentimentos num saco, sacodiu e retirou um: arrependimento. Esse não fitou bem. Outro: orgulho. Também não definiu. Deixou de lado a questão, o passado não tem solução real. Tão óbvio que chega a ser assustador.
O medo dos anos que fazem a proximidade se tornar tênue. A proximidade duentia que tanto faz mal. A dificuldade de se estar no meio.
As bocas que sempre reclamam as mesmas coisas e não conseguem abandonar o câncer se metastizando que é o ambiente que as rodeia. O novo que tão rápido o deixa de ser. O simples pesar no lugar do choro ante a perda.
O detalhe simples que faz reformular a opinião. A distância e a distância que ela causa. Os gestos, as manias, os planos bobos, as implicâncias, as discussões, os machucados, uma viagem, uma água quente. Assistia enquanto dormia: era belo saber que não estava ali enquanto os olhos piscavam rápido numa fase qualquer do sono. A ausência do nexo. O dito segredo. A mudança da opinião outra vez. Queria medir o quanto você conseguiu se enganar, otário. Medir os anos e as amizades que você perdeu é fácil! As amizades que desbotaram quando você virou as costas foram muitas também, mas dá para contar. Você foi otário, senhor alguém. A minha raiva é de saber que não tinha de ser assim, não por opinião!
Vou comer os pequis e vou abraçar você mais forte.
No comments:
Post a Comment