Monday, June 13, 2011

Outrora outra

Eu sei...
Não tive tempo de mostrar Belchior pra você.
Tivemos um bom tempo com Adriana Calcanhotto e com seus sertanejos, que eu xingava mas gostava.
Você também xingava meu Pink Floyd, dizendo que era música de velório!
E Tiê?! Você teria gostado tanto!
Ficaríamos como tantas vezes estivemos: deitados juntos num colchão no chão admirando alguém que amávamos e que não sabíamos ainda quem era. Ou ficaríamos sofrendo por esse mesmo alguém. Só pra saborear um pouquinho a tristeza já que ela nunca vinha nos visitar por que estávamos juntos.
Lembra que uma vez você chorou no carro ouvindo uma música do Nando Reis enquanto voltávamos de um churrasco frustrante? Era tão profunda, a música, né?
Quase me comovi também.
Quantas vezes me viu chorar? Contaria em uma mão só, eu sei.
Quantas músicas entremearam nossos risos? Quantas foram numa angústia? 
Ou durante um "ai!" quando eu torcia uma de suas pernas torturando você?
E quando eu pulava pelado encima de você na sala lá de casa?
Consegue medir o quando ficamos íntimos? Consegue medir o quanto fomos amigos?
Lembro que você chorava pensando no dia em que não mais estivéssemos perto. Este momento parecia tão distante, né?
Ele chegou mais rápido que um piscar de olhos. Eu que me apresentei sempre desligado fui quem sofreu com isso, acho.
Fico feliz que tenha encontrado o caminho que tanto esperava. Falava tanto em encontrar alguém que realmente amasse e com quem valesse a pena se casar. 
Está aí, mulher!
É difícil ainda, confesso, quando um problema me bate de frente. Daí sinto falta da sua intromissão na minha vida, da sua organização, da sua sensatez e bondade. 
Se encontrarei alguém assim? Não! Definitivamente. Encontrarei melhor e encontrarei pior, mas igual  não mais.
Difícil alguém tolerar os meus vícios caseiros como fiscalizar se rapou bem o banheiro, ou se lavou bem os pratos, ou se apagou a luz ao sair do quarto, ou se não esqueceu uma peça íntima no banheiro, ou se repôs a água que pegou da garrafa, ou se já organizou a louça do café enquanto busco o pão! E minha cara feia por você ter roncado de noite?
Não, não vou encontrar.
Mas já nos encontramos um dia, querida. E fomos felizes, não? 
Escreveria tantos detalhes aqui quanto me pedisse. Eles ainda são frescos, sua memória é fresca e a dor da sua ida ainda é fresca.
Amo você para sempre! 



No comments:

Post a Comment