Tudo tão amargo, hoje. Um clima frio, uma chuva fina e o silêncio.
Dirigindo de volta para casa não pude conter o nó na garganta. Há um clima de despedida que não dói menos que uma facada. E é amargo como um limão velho.
Senti saudades do tempo azedo. Sim, houve um longo tempo em que o relacionamento foi azedo. Como uma carambola ainda verde! Discussões, desrespeito, egoísmo e orgulho eram as pitadas que temperavam um engolível azedo.
Houve o tempo doce. Mas era doce e logo se acabou. Posso dizer que este partiu ao completar dois meses. Neste tempo a doçura superava tudo. Defeitos, vícios, infantilidade, todos sufocados pelo prazer de estar, apenas. Era um caqui bem maduro: era doce, macio e nos caia tão bem!
Então vim embora e o nó não desceu. Estourou em um gemido reprimido, até, e vi meu rosto molhado. Vi que o clima de despedida estava mais avançado em mim. Ainda há tanto amor, eu sei! Ou não sei.
Difícil dar adeus às promessas e juras. Difícil ficar só com as memórias, ainda que remetam a tantos momentos ácidos.
Mas hoje está amargo demais.
Há um cajá na geladeira...
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