Sunday, September 2, 2012

Paranóia

Algumas sensações me rodearam hoje, o dia todo. Eu me percebi bastante covarde com algo que sempre me julguei forte: a morte. Meu gene egoísta (aquele do Richard Dawkins) diz que é necessário viver.
Hoje também, depois de muito tempo, admiriei a religiosidade das pessoas. Tentar dialogar com algo divino traz paz a mente, que os religiosos tendem a chamar de alma. Quando algumas pessoas pedem alguma coisa numa oração ou reza elas expressam um desejo e isso é belo. Não me importo com à quem o desejo se dirige, mas sim com o desejo em si. Este sim é belo.
Quando refleti e mais tarde busquei outros conhecimentos eu não pude fazer outra coisa senão romper com a religiosidade cristã. Esta se tornou vazia, cheia de dogmas. Enfim, fraca. Nunca mais vou conseguir retornar. Eu não queria isto, sinceramente. 
Percebo sim que quando a abandonei  eu me tornei mais compreensivo com as pessoas. Deixei de classificá-las em "petencentes" e "não-pertencentes¨ ao meu grupo religioso. Isto significava classificá-las em "boas" ou "más" ou mesmo em "dignas" ou "não-dignas" de bondade. Vejo como progresso, isso tudo. Por um outro lado eu deixei de ser acolhido em um grupo. Esta perda é relevante.

Às vezes me vem a sensação de que morrerei antes da hora (antes de envelhecer). Moro só e de repente posso ter um troço que não vai nem me dar tempo de dar tchau. Um glioblastoma, um câncer intestinal já avançado, ou uma doença séria que me mate antes que descubram. Não quero ficar paranóico com isso.


No comments:

Post a Comment