Perguntaram se você tinha uma referência de relacionamento. Ah, sim, você tem. Afinal, para quem manda um torpedo perguntando como está quando a frustração toma espaço?
Por que sempre acredita nas coisas que começam por acaso?
Por que foca tanto em ir devagar para saborear a descoberta?
Por que tem tanto medo de propostas sérias da noite para o dia?
Por que uma vez por semana ouve aquela música?
Por que procura sempre uma semelhança, por mínima que seja?
Por que não se livrou das comparações?
Por que tem medo do reencontro?
Não aproximou mais as famílias. Seu sexo se tornou apenas performance e ainda deixa a desejar. Falta o pé de touro!
Não foi por acaso que foi pro Mosqueiro, dormiu mal e se apaixonou dias depois?
Não foi devagar que se aproximaram? Não foi assim que cada passo os ligava mais e enchia os dois corações de entusiasmo?
Não foi de você a proposta a jogar contra a parede e, sem dar outras opções, a arrancar-lhe o sim?
Não é aquela a música que fala de como se deu o primeiro beijo de vocês?
Não é a ânsia por um acerto que faz você procurar o igual?
Ah, para o reencontro a resposta não é simples, é? O passado virou um fantasma e assusta você! O tempo passou, meu caro! Sabe que muito provavelmente não vai encontrar a mesma pessoa de outrora. E foi lá que o seu pensamento ficou. É de lá a sua memória! Que inocente: se você próprio mudou, como pode esperar encontrar a mesma pessoa?
Ou teme aquela conversa onde relembram detalhes? Os detalhes sempre foram seus demônios: eles libertariam algo que ficou latente. Ou teme que definam melhor que você o que aconteceu?
Quantos lobos, meu caro! Ficou mais velho e se tornou mole. Agora enxerga ESTE momento como a peça-chave de um tempo que já foi.
Mas por isso não lhe foge o sono. Apenas escreve mais um texto.
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